Ações da Azul despencam mais de 90% em um dia e deixam investidores em choque

Ações da Azul despencam mais de 90% em um dia e deixam investidores em choque

Quem acompanhou o pregão desta quinta-feira (8) na Bolsa de Valores levou um susto ao olhar para os papéis da Azul Linhas Aéreas. As ações da companhia simplesmente derreteram 90,20%, sendo negociadas a R$ 25,00. Para quem já vinha observando o movimento do papel desde dezembro, o cenário é ainda mais duro: a perda acumulada desde o dia 23 chega a 99,26%.

Apesar do impacto visual e do espanto entre investidores menos experientes, a queda não foi exatamente inesperada. O mercado já vinha se preparando para esse desfecho desde que a empresa anunciou os detalhes de sua reestruturação financeira. Procurada para comentar o tombo histórico, a Azul preferiu não se pronunciar.

O que aconteceu, na prática, não foi um “quebra-quebra” repentino, mas o reflexo direto de uma decisão estrutural tomada pela companhia para tentar sobreviver.

A raiz do problema está na reestruturação

Como parte do processo para reorganizar suas finanças, a Azul decidiu transformar dívidas em ações. Isso significa que credores — bancos e fundos, principalmente — passaram a receber participação na empresa em vez de dinheiro.

Para viabilizar essa operação, a companhia colocou no mercado cerca de R$ 7,44 bilhões em novas ações. O número impressiona não só pelo valor, mas pela quantidade: foram emitidas aproximadamente 723,9 bilhões de ações preferenciais e o mesmo volume de ações ordinárias.

Com tanta ação nova circulando, o efeito foi imediato: quem já tinha papéis da Azul viu sua fatia da empresa encolher drasticamente. É o que o mercado chama de diluição, mas, na prática, significa que o investimento anterior perdeu quase todo o valor.

Megalotes e um preço que já não diz muita coisa

Outro detalhe que confundiu muita gente foi a mudança na forma de negociação. As ações da Azul passaram a ser negociadas em megalotes:
– preferenciais em lotes de 10 mil ações;
– ordinárias em lotes de 1 milhão.

Com isso, quando se olha para o valor real da ação antiga, o preço unitário chega a R$ 0,01, o mínimo permitido pela B3. É um valor tão baixo que, segundo especialistas, deixa de ter significado econômico.

Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, resume a situação de forma direta: para ele, esse preço reflete abandono do papel, especulação extrema e a antecipação dos piores cenários possíveis. Segundo o especialista, a tendência é que a empresa precise fazer um grupamento de ações em breve, apenas para tornar o papel negociável novamente.

Credores ganham espaço, acionistas ficam para trás

Na visão de outros analistas, o movimento deixa claro quem saiu ganhando e quem saiu perdendo. Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, aponta que a operação favorece os credores, não os acionistas.

“A troca de dívida por ações é um sinal claro de estresse financeiro”, afirma. “Ela ajuda a empresa a respirar, mas praticamente elimina o valor de quem já estava investido.”

Ou seja, a reestruturação pode ser boa para a continuidade da Azul como empresa, mas foi extremamente dolorosa para os investidores pessoa física que acreditaram no papel antes do processo.

Recuperação judicial e o que vem pela frente

A Azul está em recuperação judicial nos Estados Unidos, sob o chamado Chapter 11, desde maio do ano passado. O plano foi aprovado em dezembro, com apoio de mais de 90% dos credores, e prevê exatamente esse tipo de reorganização acionária.

Com a conversão das dívidas em ações, os antigos acionistas foram diluídos, enquanto os credores passaram a ter participação direta na companhia. A expectativa da empresa é encerrar o processo de recuperação judicial ainda no começo deste ano.

Para o investidor, o episódio deixa uma lição clara: processos de recuperação podem salvar empresas, mas raramente salvam o valor das ações. Entender o que está por trás de anúncios como “reestruturação” e “aumento de capital” é fundamental para evitar surpresas desse tamanho.

No caso da Azul, o mercado apenas colocou no preço aquilo que já estava no papel. E o tombo desta quinta-feira foi o reflexo final de uma conta que vinha sendo cobrada há meses. https://kiwify.app/H63IUam?afid=YoXi4vEy

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *